25/04/2013 18h02 | Atualizado em 30/07/2014 11h19

Aluna apanha de colegas na saída da escola em Rondônia (com vídeo)

Tudo aconteceu porque ela não queria fazer parte do grupo das meninas

Uol
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Duas alunas do ensino fundamental bateram em uma colega de 13 anos em frente à escola estadual de ensino fundamental e médio Ulysses Guimarães, em Porto Velho. As cenas foram gravadas por um celular e o vídeo foi postado na semana passada em uma rede social.

As imagens estão sendo investigadas pela Polícia Civil. Nos minutos iniciais do vídeo, é possível ver ao menos 11 estudantes de uniforme azul que testemunham quando uma aluna recebe tapas, chutes, socos, pontapé e tem a cabeça pisoteada. A agressão ocorre na rua da escola, onde a vitima foi encurralada em um muro.

No instante seguinte, uma das testemunhas ainda sugere que alguém preste socorro, "ajuda ela", mas a estudante que recebeu as agressões se levanta, recolhe a mochila e sai de cena.

Na manhã desta segunda-feira (22), pais e alunos responsáveis pela agressão prestaram depoimento. O laudo da perícia médica atestou que a adolescente, apesar da violência exibida no vídeo, sofreu lesões leves e deve receber acompanhamento médico.

Bullying

"Minha filha disse que tudo aconteceu porque ela não queria fazer parte do grupo dessas meninas que bateram nela. Não é a primeira vez que isso ocorre nas escolas", disse a mãe da vitima, Maria Marizete. "Eu não vou mudar minha menina de escola, ela vai continuar estudando no mesmo lugar", afirmou após comparecer à polícia.

"A vitima informou que foi atacada por uma outra aluna. Alguém disse que ela teria falado mal da agressora. Foi apenas um desentendimento", disse a delegada titular da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais, Alessandra Paraguassú.

Para a delegada é um caso tipico de violência física e psicológica. "O bullying é crime contra honra: injúria, calúnia e difamação. Se as meninas trocaram ofensas, fizeram comentários maldosos isso é bullying", afirma Paraguassú.

O procedimento de apuração de ato infracional e o relatório, feito pela delegada, devem ser concluídos nesta semana e encaminhado para o Ministério Público e o Juizado da Infância e da Juventude, que pode determinar como punição: advertência e até internação das adolescentes por três anos.

Vídeos pagos

A mãe da adolescente atacada denunciou à polícia ainda que adultos estariam pagando menores para que postassem vídeos de brigas na internet. A delegada afirmou desconhecer o problema e disse que a denúncia será investigada.

"Infelizmente isso é frequente nas escolas, meninas, meninos brigando por coisas pequenas: comentários maldosos, piadas, enfim. Esses grupos não são criados específicos para atos infracionais. A facilidade de filmar, fotografar com o telefone celular, fez com que aumentasse muito as cenas de brigas entre adolescentes. A divulgação de imagens por qualquer meio, numa situação de conflito é crime", analisa a delegada.

Depois da publicação do vídeo e da repercussão negativa da violência escolar, o governo de Rondônia determinou o retorno do patrulhamento policial escolar, que havia sido suspenso há mais de um ano. A Secretaria Estadual de Educação pediu a ajuda do Ministério Público.

"Esta questão da violência é um mal que está disseminado. Geralmente quando o aluno apresenta comportamento agressivo, ele também tem sérios problemas junto a sua família. Precisamos dar as mão na busca de defender nossos filhos e termos um ambiente escolar saudável, voltado plenamente a busca do melhor ensino com qualidade", destacou a professora Irany Oliveira, da Coordenação Regional de Educação do Estado.