26.01.2012
Ricardo Alves do Santos, 36 anos, serralheiro, morador no Jardim Ouro Verde procurou o deputado federal Marçal Filho para denunciar o descaso da saúde municipal com sua esposa Ivone. A rádio 94 fm foi a primeira emissora a levar o caso para conhecimento público.
O serralheiro contou que Ivone foi diagnosticada com eclampsia (pressão alta na gravidez), inchaço e sensação de paralisia nas extremidades. A paciente teve o acompanhamento pelo CAM, mas quando passava mal fora da data dos agendamentos era encaminhada para o HU.
Vários laudos médicos que apontavam a necessidade de acompanhamento contínuo devido a gravidez de risco. No laudo do dia 20/07/2011, que constava gestação de 20 semanas (exame bidimensional do feto). Após três meses, no dia 24/10/2011, o laudo constatou gestação de 24 semanas. Com isso, Ricardo não entendeu como que depois de 3 meses, a gestação tinha evoluído apenas 4 semanas, ou seja, um mês.
No último dia 10, Ricardo levou a esposa para o HU, após ter vazamento do líquido amniótico, Ivone ficou internada até o dia 12 de janeiro, onde segundo o marido nada foi constatado de anormal no feto. “ Toda vez que Ivone passava mal, os médicos davam remédios e assim que a pressão se normalizava, diziam para que ela voltasse para casa, pois as dores eram normais de uma grávida e o inchaço também. Minha esposa chegou a não querer mais ir ao HU quando passava mal, e afirmou que só voltaria ao hospital quando fosse ganhar o bebê”, disse Ricardo.
“Como o médico não viu o cordão umbilical enrolado?! O médico afirmou que a cabeça do feto estava amassada e que já estava morto há mais de uma semana, e doze dias atrás (10 a 12 de janeiro) minha esposa estava internada no HU”
O parto
Passado doze dias, em 24 de janeiro, às 14h, de acordo com Ricardo, Ivone sentiu dores e foi levada novamente ao HU. Feita a pré-consulta, Ivone ficou na sala de espera, mas o médico se recusa a interná-la. Às 19h, do mesmo dia (24), após troca de turno, outro médico a examinou e constatou a falta dos batimentos cardíacos do feto. Repetido o exame com outro aparelho, com o mesmo resultado.Ivone realizou o ultrassom diagnosticando a morte do feto. O médico afirmou então aos pais que não pode retirar o bebê por parto de cesária, pois poderia comprometer a mãe com várias infecções.
Medicada para indução de parto normal, Ivone foi orientada a esperar mais ou menos por três dias para que o parto se realize.
No dia seguinte(25), após dezenove horas, desesperado, Ricardo denunciou o fato a 94fm e no ar, conto todo o seu desespero e graças a denúncia sua esposa entrou no centro cirurgico em menos de 40 minutos.
Ivone de Oliveira é mãe de dois filhos e foi internada no dia 24 no HU e somente depois de 19 horas tem o feto morto retirado de seu útero. A paciente segue internada, tomando soro e medicamentos.
Indignação
Ricardo não se conforma com o descaso. Não sabe se houve negligência ou falta dos exames nas várias internações de sua esposa. “Como o médico não viu o cordão umbilical enrolado?! O médico afirmou que a cabeça do feto estava amassada e que já estava morto há mais de uma semana, e doze dias atrás (10 a 12 de janeiro) minha esposa estava internada no HU”, ressaltou Ricardo.
Óbito
Na certidão consta, às 13h05, do dia 25 de janeiro de 2012, natimorto nº 2.196, gestação de 32 a 36 semanas, tendo como causa da morte: anoxia intra uterino “nó verdadeiro de cordão+circular cervical(02)”, na integra.
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