03.02.2012
Mães que acabaram de dar à luz ficam com os filhos recém-nascidos em macas nos corredores da maternidade do HU/UFGD (Hospital Universitário). Elas dividem espaço com as grávidas que estão em trabalho de parto e passam pelas contrações em cadeiras, também no espaço que deveria ser usado apenas para trânsito de pacientes e profissionais. Algumas, com as bolsas estouradas, chegam a esperar até três horas na recepção para receber um primeiro atendimento médico.
Faltam leitos para atender a demanda do setor de ginecologia e obstetrícia. Ontem, o Diário MS esteve no HU por volta das 09h e naquele horário ainda havia pelo menos 10 mulheres na recepção à espera por atendimento. Nos corredores internos, pelo menos outras 10 mães estavam no corredor, conforme confirmação do próprio hospital.
A grávida Emilia Rodrigues de Oliveira, 26 anos, disse que a bolsa dela estourou em casa às 06h de ontem, quando foi levada às pressas ao hospital pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). “Umas duas horas depois, o médico me examinou, mas, como não tem lugar, me colocaram no corredor em uma cadeira. Estou com muita dor e contrações”, afirmou.
“Agora qualquer um que entrar ali pode ver que tem várias mães com bebês no bercinho, no corredor. É um absurdo, esses recém-nascidos ficarem expostos assim”, afirmou estudante Talita Minelli, 18 anos. A irmã dela chegou à meia noite com a bolsa estourada e sangramento, mas só foi atendida às 3h.
“Cheguei aqui às 07h10 e estou esperando até agora [9h], mas as minhas dores começaram ontem [anteontem] à noite. Disseram que o mesmo médico que faz os partos é o que atende a gente aqui. Como os partos são mais urgentes, a gente vai ficando para trás”, Elenice Vieira dos Santos, grávida de nove meses.
HOSPITAL
Em nota, a direção do HU informou que a situação de ontem, “apenas evidencia o excesso de demanda de atendimentos, em relação ao número de leitos disponibilizados pelo Hospital”. São 25 vagas para “atendimento de ginecologia e obstetrícia, além de seis leitos no centro obstétrico (destinado a mulheres em trabalho de parto) e outros seis na clínica cirúrgica – destinado a pacientes que fizeram cirurgia ginecológica”.
Ainda conforme o hospital, ontem haviam 12 pacientes a mais do que comportava a estrutura, duas ficaram no Centro Obstetrício e 10 nos corredores. “A direção do HU/UFGD entende que a situação é desconfortável as pacientes e familiares, mas garante que todas as pacientes estão instaladas em macas, com bercinhos para os bebês e cadeiras para os acompanhantes. A equipe de enfermagem também foi remanejada para garantir um atendimento adequado a todos os pacientes”, informou.
O hospital ainda lembrou que o atendimento é ‘portas abertas’, ou seja, independe da disposição das vagas ou encaminhamento, todas as pacientes que chegam à unidade tem que ser atendidas. O HU/UFGD atende a demanda de Dourados e região.
(diarioms)

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