Bibliotecas, portas de acesso ao mundo

Françoise Nyssen, Noël Corbin, Erik Orsenna e Emmanuel Macron  (Foto de Véronique Heurtematte)
Françoise Nyssen, Noël Corbin, Erik Orsenna e Emmanuel Macron (Foto de Véronique Heurtematte)

Nesta semana, aqui na França, o estudo "Viagem ao país das bibliotecas", escrito pelo academista Erik Orsenna, foi apresentado à ministra da cultura Françoise Nyssen na presença do presidente da república Emmanuel Macron na midiateca da cidade de Les Mureaux, a uns 40 quilômetros de Paris, no Oeste.

Para Orsenna, a leitura não é somente um passatempo, mas um acesso aos acessos, ou seja, uma porta de acesso ao mundo, considera que os que não têm acesso à leitura são exilados.  O presidente Macron, que abriu uma verba suplementar de 8 milhões de euros para 2018, pensa que estes lugares de leitura são sinônimo de engajamento, é política de emancipação, cruzar um livro é cruzar um imaginário, o que abre caminhos.

O estudo contém propostas para as bibliotecas francesas, um plano nacional, acentuando a necessidade de reflexão sobretudo no que diz respeito aos horários de abertura, que deve ser em função dos locais onde estão inseridas. Pensa que elas devem abrir mais e de melhor forma.

Sugere estreitar os laços entre bibliotecas universitárias e municipais e abertura aos domingos; reforçar parcerias entre bibliotecas e outras estruturas como espaços prestando serviços sociais; favorizar a rede de leitura pública principalmente nas zonas rurais.

Outra proposta é levar livros fora dos espaços bibliotecas, como em quiosques de livros, salas de esportes, salão de beleza, sala de espera de médico. Criar ações comunitárias entre biblioteca e correios, por exemplo, além de reforçar parcerias com outros atores culturais nos lugares onde estão inseridas.

Midiateca de Les Mureaux
Midiateca de Les Mureaux

Biblioteca Les Mureaux reformada, propõe 92.000 documentos num espaço de 2500 metros quadrados organizado em cinco grandes espaços (infância e juventude, adolescente e adulto), jornais e revistas, música e cinema, cultura e multimídia.

Ela acolhe também um espaço cultural com um museu digital, sala de espetáculo e a midiateca com tablets mostrando mais de 250 obras de oito museus nacionais dos quais o Centre Pompidou, o Louvre e o Castelo de Versalhes, laboratório de impressora 3D, ateliês pedagógicos, e jogos organizados em parceria com as associações locais.

Tudo isso para uma cidade de menos de 32 mil habitantes! A midiateca é aberta 24 h/semana, de terça a domingo. E se a gente pensasse como Orsenna? Abrir caminhos de acesso ao mundo?

Bom final de semana!

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