Final de ano

Final de ano

Após um ano de muito trabalho, é época de descansar, de fazer balanços. Pessoais. Mas não só. Penso no Brasil que entra em campanha eleitoral para a escolha do próximo presidente e outros cargos. E a questão: como fazer para construir um país onde cada um possa ter o seu? A nível econômico, cultural... Como fazer para sermos melhores cada dia. Individualmente e coletivamente?

Dois artigos vistos no Le Monde nestes últimos 7 dias, me preocupam. Um deles "O Brasil sob o "BBB" e "No Brasil, um ar de sociedade de castas". Acho que todos conhecem o "BBB", esse grupo ultra conservador formado pelo três "B". De "boi", dos grandes latifundiários; de "bíblia", dos evangélicos e de "bala" dos que querem o porte de armas. Penso em um dos personagens de Chico Anísio, que não me lembro o nome agora, que vivia exilado no exterior durante a ditadura e ligava para um conhecido no Brasil para saber da situação de seu país. A pessoa lhe explicava o que estava ocorrendo e o exilado lhe dizia: "você não quer que eu volte!"


Me sinto um pouco assim, quando leio este tipo de análise sobre o Brasil que é como dizia Maria d'Apparecida, um filho que a gente conhece os defeitos, mas que não gosta de ouvir falar mal dele. Entretanto, fica a questão de como fazer melhor.

A realidade é que o povo tem medo de perder o emprego, do clima de insegurança... Um dos artigos cita Morgan, estudante do economista francês do conhecido Thomas Piketty. Ele fornece a realidade estatística, após pesquisas minuciosas. Em termos de diferenças salariais, no Brasil, elas são enormes. Ele afirma que 1 % dos brasileiros mais ricos, ou seja, cerca de 1,4 milhão, recebem mais de 287 000 reais por ano, os 0,1 % de super ricos (140 000 pessoas) têm mais de 1,4 milhões de reais. Ou seja, mais de 40 vezes a renda média estimada para o conjunto da população. As fraudes fiscais são usuais e numerosas. Os dividendos distribuídos aos acionistas não são taxados!

Para ele, as ilegalidades no Brasil seriam comparadas com as existentes na Franca no século 19, época dos "Os Miseráveis" de Victor Hugo. Uma das causas está ligada à política fiscal que não distribui, onde os mais pobres pagam proporcionalmente mais impostos que os mais ricos. Os negros e mestiços representam 66% das domésticas e 67% dos vendedores ambulantes!

Sem mais comentários. Se cada um tivesse o seu não precisaria ir atrás do que tem o outro, não? Teríamos menos medo, menos estresses...

Bom final de semana em reflexão!

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